Cirurgia do cotovelo de tenista: como é feita e quando
A cirurgia do cotovelo de tenista trata a área comprometida do tendão extensor, que fica na parte de fora do cotovelo, quando a dor persiste apesar do tratamento clínico por tempo adequado. Este guia explica, para familiares e cuidadores, quando ela é considerada, como é feita e como costuma ser a recuperação.
O que é a epicondilite lateral e quando se pensa em cirurgia?
Epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, é uma tendinopatia dos extensores. Tendinopatia significa um desgaste do tendão, e não apenas uma inflamação passageira. O tendão afetado se prende ao epicôndilo lateral, a saliência óssea na parte de fora do cotovelo.
A cirurgia entra em discussão quando a dor é persistente e não responde ao tratamento clínico por tempo adequado. Nesse ponto, o quadro passa a ser chamado de refratário, ou seja, resistente às medidas já tentadas.
Segundo o Dr. Rubens Guilherme Gonçalves, a conduta é individualizada, com foco em aliviar a dor e recuperar a força de pega com segurança.
- O problema está no tendão que estende o punho e os dedos
- Dor ao pegar objetos, apertar a mão ou girar maçanetas é comum
- A cirurgia é considerada só em casos refratários
- A decisão depende de avaliação individual em consulta
| Fase | Período aproximado | Foco |
|---|---|---|
| Proteção | Primeiras 1 a 2 semanas | Controle da dor e cuidado com a ferida |
| Movimento | 2 a 6 semanas | Recuperar a amplitude do cotovelo e punho |
| Fortalecimento | 6 a 12 semanas | Ganho progressivo de força de pega |
| Retorno pleno | 3 a 6 meses | Trabalho pesado e esporte, de forma gradual |
Quais sinais indicam que o caso pode ser refratário?
Estudos de revisão indicam que a maioria das pessoas melhora sem cirurgia. O caso costuma ser considerado refratário quando a dor continua, na maioria dos casos, após cerca de 6 a 12 meses de tratamento clínico bem conduzido.
Um ponto que o Dr. Rubens costuma esclarecer: continuar no mesmo esforço sem ajuste perpetua o quadro. A avaliação orienta o que evitar no trabalho e em casa, e isso também ajuda a saber se o tratamento teve chance real de funcionar.
- Dor que atrapalha tarefas simples, como segurar uma xícara
- Perda de força ao apertar ou carregar objetos
- Dor que volta sempre que a atividade é retomada
- Pouca resposta a fisioterapia, órtese e infiltração já tentadas
Como é feito o diagnóstico antes de indicar a cirurgia?
O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico, com testes que provocam dor ao estender o punho contra resistência. Esse exame ajuda a separar a epicondilite de outras causas de dor no cotovelo.
Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, mostram o grau de desgaste do tendão e se há ruptura parcial. Estudos de revisão indicam que essas imagens ajudam a planejar a cirurgia, mas a confirmação do diagnóstico é sempre feita em consulta.
Como é feita a cirurgia do tendão do cotovelo?
O objetivo da cirurgia é tratar a área comprometida do tendão. O cirurgião identifica o tecido degenerado na origem dos extensores, remove essa porção doente e preserva o tendão saudável, estimulando a cicatrização local.
Diretrizes descrevem duas formas principais: a cirurgia aberta, por uma pequena incisão na parte de fora do cotovelo, e a artroscopia, feita com uma câmera fina inserida por pequenos cortes chamados portais. Na artroscopia, o posicionamento do braço e a localização dos portais seguem cuidados técnicos para proteger nervos próximos.
A escolha da técnica depende das características de cada caso. Em geral, é um procedimento sem internação prolongada, feito com anestesia que pode combinar bloqueio do braço e sedação.
- Avaliação e planejamento com exame e imagem
- Anestesia e posicionamento do braço
- Acesso aberto ou por artroscopia
- Remoção do tecido doente do tendão
- Fechamento e curativo, com orientações de cuidado
Como é a recuperação e o retorno ao trabalho e ao esporte?
Nos primeiros dias, o braço costuma ficar protegido e o foco é controlar a dor e o inchaço. Depois, a reabilitação avança aos poucos, com ganho de movimento e, mais tarde, de força.
Na maioria dos casos, atividades leves são retomadas em algumas semanas, enquanto trabalho braçal e esportes com raquete exigem de 3 a 6 meses. Esses prazos são faixas e variam conforme a pessoa, o tipo de atividade e a evolução.
Como em toda cirurgia, existem riscos, como infecção, rigidez e, raramente, formação de osso fora do lugar, chamada ossificação heterotópica. Familiares podem ajudar observando sinais de alerta e apoiando a rotina de reabilitação.
- Respeitar os limites de carga orientados
- Comunicar febre, vermelhidão ou dor que piora
- Retomar o esforço de forma gradual
Perguntas frequentes
A cirurgia do cotovelo de tenista é a primeira opção?
Não. A cirurgia é considerada quando a dor é persistente e não responde ao tratamento clínico por tempo adequado. A indicação é definida em avaliação individual.
A cirurgia resolve o problema em todos os casos?
Estudos indicam que a maioria das pessoas operadas tem alívio da dor e melhora da força, mas nenhum resultado pode ser prometido. A resposta varia de pessoa para pessoa e depende também da reabilitação.
Qual a diferença entre cirurgia aberta e artroscópica?
Na cirurgia aberta, o tendão é tratado por uma pequena incisão. Na artroscopia, usa-se uma câmera por pequenos cortes. Ambas buscam remover o tecido doente do tendão, e a escolha depende de cada caso.
Quando dá para voltar a trabalhar depois da cirurgia?
Na maioria dos casos, trabalhos leves são retomados em algumas semanas e atividades pesadas entre 3 e 6 meses. O prazo é ajustado conforme a evolução de cada pessoa.
Como saber se o caso do meu familiar precisa de cirurgia?
Só a avaliação em consulta, com exame físico e, quando necessário, exames de imagem, define se o caso é refratário e qual caminho faz sentido para ele.
Referências
- Lanham NS, Belyea CM, Peterson JR et al.. Elbow Arthroscopy: Essential Principles of Positioning, Anatomy, and Portal Placement. Tech Hand Up Extrem Surg. 2024. PMID 37899629
- Rippke JN, Burkhart KJ. [Epicondylosis : Open surgical procedure-when and how for lateral and medial epicondylitis?]. Orthopadie (Heidelb). 2023. PMID 37074370
- Desai MJ, Ramalingam H, Ruch DS. Heterotopic Ossification After the Arthroscopic Treatment of Lateral Epicondylitis. Hand (N Y). 2017. PMID 28453354
- Daniels SP, De Tolla JE, Azad A et al.. Imaging Evaluation of Medial and Lateral Elbow Pain: Acute and Chronic Tendon Injuries of the Humeral Epicondyles. Semin Musculoskelet Radiol. 2021. PMID 34706389
Saiba como é a avaliação e o tratamento →
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial com o Dr. Rubens Guilherme Gonçalves ou outro especialista.
