Dr. Rubens Guilherme Gonçalves
Início › Epicondilite lateral (cotovelo de tenista): dor ao pegar objetos › Artigos

Cirurgia do cotovelo de tenista: como é feita e quando

Dr. Rubens Guilherme Gonçalves
Dr. Rubens Guilherme Gonçalves
Ombro e cotovelo · CRM-SP 162.874 · 70669 · Publicado em 02/11/2026

A cirurgia do cotovelo de tenista trata a área comprometida do tendão extensor, que fica na parte de fora do cotovelo, quando a dor persiste apesar do tratamento clínico por tempo adequado. Este guia explica, para familiares e cuidadores, quando ela é considerada, como é feita e como costuma ser a recuperação.

O que é a epicondilite lateral e quando se pensa em cirurgia?

Epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, é uma tendinopatia dos extensores. Tendinopatia significa um desgaste do tendão, e não apenas uma inflamação passageira. O tendão afetado se prende ao epicôndilo lateral, a saliência óssea na parte de fora do cotovelo.

A cirurgia entra em discussão quando a dor é persistente e não responde ao tratamento clínico por tempo adequado. Nesse ponto, o quadro passa a ser chamado de refratário, ou seja, resistente às medidas já tentadas.

Segundo o Dr. Rubens Guilherme Gonçalves, a conduta é individualizada, com foco em aliviar a dor e recuperar a força de pega com segurança.

  • O problema está no tendão que estende o punho e os dedos
  • Dor ao pegar objetos, apertar a mão ou girar maçanetas é comum
  • A cirurgia é considerada só em casos refratários
  • A decisão depende de avaliação individual em consulta
Fases da recuperação após a cirurgia (faixas na maioria dos casos)
FasePeríodo aproximadoFoco
ProteçãoPrimeiras 1 a 2 semanasControle da dor e cuidado com a ferida
Movimento2 a 6 semanasRecuperar a amplitude do cotovelo e punho
Fortalecimento6 a 12 semanasGanho progressivo de força de pega
Retorno pleno3 a 6 mesesTrabalho pesado e esporte, de forma gradual

Quais sinais indicam que o caso pode ser refratário?

Estudos de revisão indicam que a maioria das pessoas melhora sem cirurgia. O caso costuma ser considerado refratário quando a dor continua, na maioria dos casos, após cerca de 6 a 12 meses de tratamento clínico bem conduzido.

Um ponto que o Dr. Rubens costuma esclarecer: continuar no mesmo esforço sem ajuste perpetua o quadro. A avaliação orienta o que evitar no trabalho e em casa, e isso também ajuda a saber se o tratamento teve chance real de funcionar.

  • Dor que atrapalha tarefas simples, como segurar uma xícara
  • Perda de força ao apertar ou carregar objetos
  • Dor que volta sempre que a atividade é retomada
  • Pouca resposta a fisioterapia, órtese e infiltração já tentadas

Como é feito o diagnóstico antes de indicar a cirurgia?

O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico, com testes que provocam dor ao estender o punho contra resistência. Esse exame ajuda a separar a epicondilite de outras causas de dor no cotovelo.

Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, mostram o grau de desgaste do tendão e se há ruptura parcial. Estudos de revisão indicam que essas imagens ajudam a planejar a cirurgia, mas a confirmação do diagnóstico é sempre feita em consulta.

Como é feita a cirurgia do tendão do cotovelo?

O objetivo da cirurgia é tratar a área comprometida do tendão. O cirurgião identifica o tecido degenerado na origem dos extensores, remove essa porção doente e preserva o tendão saudável, estimulando a cicatrização local.

Diretrizes descrevem duas formas principais: a cirurgia aberta, por uma pequena incisão na parte de fora do cotovelo, e a artroscopia, feita com uma câmera fina inserida por pequenos cortes chamados portais. Na artroscopia, o posicionamento do braço e a localização dos portais seguem cuidados técnicos para proteger nervos próximos.

A escolha da técnica depende das características de cada caso. Em geral, é um procedimento sem internação prolongada, feito com anestesia que pode combinar bloqueio do braço e sedação.

  • Avaliação e planejamento com exame e imagem
  • Anestesia e posicionamento do braço
  • Acesso aberto ou por artroscopia
  • Remoção do tecido doente do tendão
  • Fechamento e curativo, com orientações de cuidado

Como é a recuperação e o retorno ao trabalho e ao esporte?

Nos primeiros dias, o braço costuma ficar protegido e o foco é controlar a dor e o inchaço. Depois, a reabilitação avança aos poucos, com ganho de movimento e, mais tarde, de força.

Na maioria dos casos, atividades leves são retomadas em algumas semanas, enquanto trabalho braçal e esportes com raquete exigem de 3 a 6 meses. Esses prazos são faixas e variam conforme a pessoa, o tipo de atividade e a evolução.

Como em toda cirurgia, existem riscos, como infecção, rigidez e, raramente, formação de osso fora do lugar, chamada ossificação heterotópica. Familiares podem ajudar observando sinais de alerta e apoiando a rotina de reabilitação.

  • Respeitar os limites de carga orientados
  • Comunicar febre, vermelhidão ou dor que piora
  • Retomar o esforço de forma gradual

Perguntas frequentes

A cirurgia do cotovelo de tenista é a primeira opção?

Não. A cirurgia é considerada quando a dor é persistente e não responde ao tratamento clínico por tempo adequado. A indicação é definida em avaliação individual.

A cirurgia resolve o problema em todos os casos?

Estudos indicam que a maioria das pessoas operadas tem alívio da dor e melhora da força, mas nenhum resultado pode ser prometido. A resposta varia de pessoa para pessoa e depende também da reabilitação.

Qual a diferença entre cirurgia aberta e artroscópica?

Na cirurgia aberta, o tendão é tratado por uma pequena incisão. Na artroscopia, usa-se uma câmera por pequenos cortes. Ambas buscam remover o tecido doente do tendão, e a escolha depende de cada caso.

Quando dá para voltar a trabalhar depois da cirurgia?

Na maioria dos casos, trabalhos leves são retomados em algumas semanas e atividades pesadas entre 3 e 6 meses. O prazo é ajustado conforme a evolução de cada pessoa.

Como saber se o caso do meu familiar precisa de cirurgia?

Só a avaliação em consulta, com exame físico e, quando necessário, exames de imagem, define se o caso é refratário e qual caminho faz sentido para ele.

Referências

  1. Lanham NS, Belyea CM, Peterson JR et al.. Elbow Arthroscopy: Essential Principles of Positioning, Anatomy, and Portal Placement. Tech Hand Up Extrem Surg. 2024. PMID 37899629
  2. Rippke JN, Burkhart KJ. [Epicondylosis : Open surgical procedure-when and how for lateral and medial epicondylitis?]. Orthopadie (Heidelb). 2023. PMID 37074370
  3. Desai MJ, Ramalingam H, Ruch DS. Heterotopic Ossification After the Arthroscopic Treatment of Lateral Epicondylitis. Hand (N Y). 2017. PMID 28453354
  4. Daniels SP, De Tolla JE, Azad A et al.. Imaging Evaluation of Medial and Lateral Elbow Pain: Acute and Chronic Tendon Injuries of the Humeral Epicondyles. Semin Musculoskelet Radiol. 2021. PMID 34706389

Saiba como é a avaliação e o tratamento →

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial com o Dr. Rubens Guilherme Gonçalves ou outro especialista.

Ver todos os artigos →

Onde o Dr. Rubens atende

Dr. Rubens Guilherme Gonçalves
Av. Indianópolis, 725, Indianópolis, São Paulo — SP
Atendimento: terça, 14:00–18:00 · quarta, 09:00–12:00 · sexta, 13:00–18:00

Ver no Google Maps →

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

Mande uma mensagem. A equipe responde e já mostra os horários disponíveis.